Por que fazer a Tongariro Alpine Crossing

Estávamos escrevendo um post sobre Taupo e percebemos que a parte da trilha estava tomando muito espaço e que talvez nem todo mundo se interessaria pelos detalhes. Segue então esse relato detalhado tal qual.

O que é?

A Tongariro Alpine Crossing (em português Travessia Alpina do Tongariro) é uma trilha de 19,4km feita entre 5h30 e 7h30 que cruza o Tongariro National Park, na Ilha Norte da Nova Zelândia. Só pelo desafio de se percorrer essa distância em um terreno montanhoso, já valeria a pena. No entanto, esse percurso ganha pontos extras por passar por vulcões ativos e paisagens que fazem o trilheiro pensar que está em Marte, tanto pelas cores quanto pela aridez.

Como chegar no começo da trilha?

Quando fizemos a Tongariro Alpine Crossing, estávamos baseados em Taupo, pequena cidade às margens do lago de mesmo nome (leia mais em nosso outro post) que fica a mais ou menos 1h30 do começo da trilha.

Por ser uma travessia, ou seja, começar e terminar em diferentes locais, não é muito fácil ir de carro, pois se deve contratar um serviço de reposicionamento do veículo. Esse tipo de serviço é até comum aqui na Nova Zelândia nas diversas trilhas que o país oferece, mas não sem seus riscos, como roubo do veículo quando esse se encontra estacionado em áreas remotas. Outra desvantagem é que depois da trilha, se você estiver dirigindo, não pode descansar os olhos até chegar de volta ao seu hotel. Para nós a escolha foi mais simples, já que não temos carro por aqui. Compramos então dois lugares num ônibus da companhia Tongariro Expeditions por NZ$ 65, que passou para nos pegar no albergue às 5h30 da manhã. Esse mesmo ônibus passa por outros albergues e hotéis da cidade e segue viagem, chegando na entrada do parque por volta das 7h da manhã.

O percurso

A Tongariro Alpine Crossing possui um percurso desafiador para a maioria das pessoas. Mais desafiador ainda se você decide realizar alguma trilha secundária no meio do caminho (não fizemos, mas se eu voltar por lá alguma vez, quero muito fazer!).

O começo é bem tranquilo: um caminho relativamente plano feito com tábuas de madeira e que segue o curso de um córrego. Ao longe, já se pode assistir o nascer do sol atrás do Monte Ngauruhoe, um dos vulcões pelos quais se passa (e, na minha opinião, o mais bonito). Esse vulcão é mais conhecido por ser a Montanha da Perdição do Senhor dos Anéis, onde o Frodo destrói o anel.

Enfim, logo após esse aquecimento, começa a parte que muitos consideram uma das mais difíceis: a Devil’s Staircase (ou Escadaria do Diabo, em português). Nada mais é que um conjunto de escadas (a terra foi moldada para formar degraus e se mantém nesse formato por meio de tábuas) que sobem belos 500 metros. Aqui você testa seu preparo físico, mas não é nada de outro mundo. “Ponha um pé atrás do outro e respire”, é o que diz o panfleto do operador da excursão. E eles estão certos: vá com calma que você consegue.

Terminando essa grande subida, nós nos vimos em uma grande planície. Vale a pena apreciar a vista do vulcão mais uma vez e tirar algumas fotos. Depois disso, há uma subidinha a mais e logo você estará no ponto mais alto da trilha. Daqui para frente tudo é (mais ou menos) descida! Almoçamos nesse ponto mais alto os sanduíches que havíamos levado, com vista para uma cratera de outro vulcão. Depois de uns minutinhos descansando, retomamos nosso caminho.

Começando a descida, pudemos avistar lindas lagoas cor de esmeralda (com um cheirinho sulfuroso que nos lembrou Rotorua). Realmente uma paisagem alienígena. Pode-se chegar bem perto delas, mas nadar é proibido, segundo as regras do parque.

Seguindo em frente, a descida começa a apresentar paisagens mais parecidas com as que estamos acostumados em regiões de montanhas, com vegetações rasteiras. De quebra, temos uma linda vista do Lago Taupo. Caminhamos mais umas 3 horas e chegamos no estacionamento do outro lado do parque, onde nosso ônibus estava nos esperando.

Trilhas Secundárias

Caso seu preparo físico esteja bom e você tenha considerado a Devil’s Staircase uma subidinha leve, seria legal tentar a trilha para subir até o cume do Monte Ngauruhoe (3 horas, ida e volta). O panfleto do operador da excursão dava um aviso meio assustador, dizendo que a subida é extremamente perigosa e que quem sofre de vertigem não deveria fazê-la. Nós não fizemos, mas acredito que deva ser um aviso meio exagerado para evitar que pessoas muito despreparadas não tentem.

Outra trilha secundária é a subida até o cume do Monte Tongariro, que dura 1h30, ida e volta. Essa subida é aparentemente mais tranquila que a anterior.

Conselhos

1) Não reserve esse passeio com muito tempo de antecedência. Os operadores sempre têm lugar nos ônibus. Veja a previsão do tempo para o dia seguinte e fale na recepção do seu albergue ou hotel que eles com certeza conseguirão um lugar para você com um dos operadores. Se você reservar muito antes e no dia o tempo estiver ruim, vai ter que cancelar.

2) Mesmo no verão, leve roupas de frio. Quando começamos a trilha, a temperatura estava bem abaixo de 10 graus e nossas mãos ficaram bem frias. Uma luva teria feito esse começo bem mais agradável.

3) Leve bastante água! Apesar de termos passado por diversos cursos d’água e lagoas, toda a água do parque é imprópria para o consumo (talvez devido aos minerais presentes nesse terreno vulcânico).

4) Treine antes! Apesar de termos visto pessoas bem despreparadas conseguindo completar a trilha, é muito mais agradável se você conseguir chegar inteiro. E se estiver com muito preparo mesmo, tente subir no cume da Montanha da Perdição, talvez você encontre o Gollum por lá! :-)

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