Arequipa: uma composição de cores e sabores

Localizada ao pé de três vulcões - Misti, Chachani e Pichu Pichu, Arequipa é uma cidade que encanta. Pelo menos conosco foi assim. E não foi um amor à primeira vista não. Mas aos poucos o lugar foi nos conquistando e, depois de três dias, saímos seduzidos!

O ponto de partida para quem visita Arequipa é a Plaza de Armas. Rodeada por arcos branquinhos, com uma catedral majestosa e um centro cheio de verde, a praça funciona como "hub" para todas as atrações da cidade e é frequentada não só por turistas, mas também por vários locais, o que a deixa ainda mais interessante.

A Plaza de Armas de Arequipa é linda, linda, linda!

A Catedral de Arequipa é o edifício neoclássico mais importante do Peru. Externamente a construção chama atenção por sua coloração branca e por seu tamanho, visto que a fachada preenche uma aresta inteirinha da Plaza de Armas. Internamente, possui decoração bastante leve e um altar com 12 colunas que representam os 12 apóstolos. Como visitamos o local em um domingo, não precisamos pagar para entrar.

Na frente da catedral, do outro lado da praça, está a Iglesia de la Compañia. Exemplo de decoração barroca, o lugar é cheio de detalhes, tanto na fachada como em seu interior. A visita é gratuita e vale a pena!

Um dos lugares que mais gostamos na cidade foi o Museu dos Santuários Andinos. Em 1995, os pesquisadores Johan Reinhard e Miguel Zárate encontraram o corpo de uma jovem em excelente estado de conservação e, junto com ele, diversas estatuetas, cerâmicas etc.

O Museu dos Santuários Andinos possui uma "múmia" muito bem preservada do Império Inca, mas lá dentro não é permitido tirar fotos

Com muitas pesquisas, constataram que Juanita, assim denominada por causa de seu descobridor Johan, pertencia ao Império Inca e que, desde seu nascimento, já estava predestinada a ser sacrificada para os deuses. Por isso, quando foi morta e enterrada, a menina de 12/13 anos estava também com outros objetos, cabelo de quando era bebê e seu cordão umbilical. Mas antes de chegar até o vulcão em que seria oferecida aos deuses, Juanita caminhou por mais de 500 quilômetros, desde Cusco até Arequipa.

A visita ao museu gira em torno da "múmia". O ingresso custa 10 soles por pessoa e, no início, há um vídeo de 10 minutos contando um pouco mais sobre a descoberta de Juanita. Na sequência, um guia explica sobre os objetos encontrados com ela e o gran finale é feito na sala em que está a grande protagonista do lugar. Devido à baixíssima temperatura do topo da montanha, o corpo está muito bem conservado, inclusive com os órgãos internos.

Outro ponto obrigatório em Arequipa é o Monastério Santa Catalina. Fundado em 1579, o lugar ocupa um terreno de 20 mil metros quadrados e, por séculos, abrigou monjas de diferentes níveis sociais que viviam enclausuradas, isto é, sem contato com o mundo exterior.

O interior do Monastério Santa Catalina é todo colorido

Na metade do século XVIII, havia mais de 300 mulheres morando no local (para você ver como é grande!) e a mini cidade contava com quartos, capelas, claustros coloridos, cozinhas, hortas, lavanderia e até cemitério. O ticket custa 40 soles por pessoa e é realmente bem bacana conhecer cada cantinho do monastério.

Umas das várias ruas do monastério

As monjas lavavam suas roupas nestes "vasos"

Muitos turistas partem de Arequipa para fazer uma daytrip até o Colca Canyon. O trecho é longo, mas dizem que as vistas são incríveis! Ficamos bem na dúvida sobre visitar ou não o local e, no fim, fechamos com uma agência por 140 soles por pessoa com tudo incluído (café da manhã, almoço, entrada no parque e banho nas termas). Como o percurso é grande, as vans buscam os turistas nos hotéis às 3h da manhã mas, como a moça da agência esqueceu de avisar o motorista, ficamos plantados esperando o transporte que nunca apareceu e, por isso, não podemos dar mais detalhes sobre esta atração (não sabemos até agora se vale a pena ou não, mas pelo menos recebemos nosso dinheiro de volta, hehe).

Como ficamos com um dia livre devido ao incidente do Colca Canyon, resolvemos fazer um curso de culinária peruana na Peruvian Cooking Experience e adoramos! Pagamos 90 soles por pessoa para 3 horas de aula.

Cardápio do dia: rocoto relleno, que é como um pimentão recheado

Cozinhamos uma salada chamada soltero de queso, depois partimos para o rocoto relleno (uma espécie de pimentões recheados com carne flambada) e, no final, aprendemos a fazer o famoso pisco sour. E tudo em um lugar lindíssimo!

O espaço da Peruvian Cooking School é muito bonito, cheio de árvores

Depois de tanta comida e bebida, andamos um pouquinho até o mirador Yanahuara para ver os vulcões. A vista é legalzinha, mas não é nada imperdível.

Arequipa também é famosa por sua culinária. Fomos em dois restaurantes muito bons na cidade: o Chi Cha, que é mais sofisticado e mescla cozinha peruana com toques do chef Gastón Acurio, que é um dos mais famosos no Peru, e o Dimas, que tem um preço mais em conta mas que também é muito bom!

Depois de três dias nos surpreendendo com as cores e os sabores de Arequipa, partimos para Puno com a companhia Cruz del Sur, que super recomendamos. A viagem é longa, mas o ônibus é bastante confortável.

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